
Em teoria, todo o risco de taxa de juros deveria ser transferido para a Tesouraria, todas as exposições deveriam ser protegidas no mercado, e todos os mercados teriam a profundidade e a amplitude suficientes para fazê-lo. No entanto, todos sabemos que essa situação perfeita não é o mundo real em que vivemos.
Com isso em mente, é importante entender as origens do IRRBB no banco, quem as detém, por que existem e qual é a sensibilidade de P&L que geram.
Limitações da abordagem tradicional de IRRBB
A análise tradicional de IRRBB avalia como a margem financeira (NII) total do banco responde a choques de taxa de juros. Embora útil de uma perspectiva regulatória, essa visão não explica:
Quem detém o risco de taxa de juros dentro do banco.
Quanto risco é transferido para a Tesouraria versus o que é retido pelas linhas de negócio (ou seja, qualquer convexidade ou parcelas não estáveis de NMDs).
Se todas as exposições podem ser hedgeadas de forma realista no mercado.
Se o mercado tem amplitude suficiente em termos de instrumentos disponíveis.
Se a Tesouraria está gerando resultado (P&L) em algumas posições abertas.
Como resultado, a diretoria carece de transparência sobre como o risco é gerado, transferido e absorvido em toda a organização, e como isso, em última análise, afeta a margem financeira líquida (NIM) do banco.
O Modelo de Transmissão de IRRBB: identificação, isolamento e alocação de risco
A implementação da estrutura de gestão de IRRBB 2.0 requer um sistema implementado para ser capaz de registrar cada uma das exposições de risco individualmente em uma linha de negócio. Além disso, exige quebrar os silos entre a Gestão de Ativos e Passivos (ALM) e a Tesouraria. Isso significa compreender se a tesouraria está assumindo o risco das linhas de negócios conforme prescrito na política de IRRBB, ou se está se desviando, e os motivos por trás de cada desalinhamento. Preencher a lacuna entre o ALM
(Política de IRRBB) e a Tesouraria (a real internalização do risco registrada nos sistemas da tesouraria) deve fazer parte da estrutura de gestão de IRRBB, mas nem sempre é o caso.
O Modelo de Transmissão de IRRBB representa uma mudança de uma visão puramente agregada para uma estrutura operacional que permite a decomposição da sensibilidade da margem financeira por linha de negócio e fator de risco.
O modelo é baseado em três princípios fundamentais:
Implementação de métricas de sensibilidade da margem financeira por linha de negócio, aproveitando os recursos de Preço de Transferência de Fundos (FTP) para novos contratos para entender como cada atividade contribui para o risco geral de taxa de juros.
Identificação e isolamento de fatores de risco de IRRBB, distinguindo entre riscos identificáveis e não identificáveis, bem como exposições hedgeáveis e não hedgeáveis.
Alocação do risco ao seu detentor natural, seja a Tesouraria, o comitê de ALCO ou as linhas de negócio, com base na capacidade real de hedge e no apetite a risco do banco.
Esta abordagem permite uma distinção clara entre:
Risco linear de taxa de juros que pode ser hedgeado no mercado e transferido para a Tesouraria.
Riscos que, devido a restrições de mercado ou estratégicas, devem permanecer no negócio como risco residual.
Posições abertas que são deliberadamente mantidas para se beneficiar de movimentos esperados do mercado.
Benefícios de um Modelo de Transmissão de IRRBB
A adoção de um Modelo de Transmissão de IRRBB traz vários benefícios importantes para a gestão do balanço:
Maior transparência na atribuição de riscos e resultados (P&L).
Governança e visão do alinhamento entre as políticas de IRRBB e a capacidade real de hedge da Tesouraria.
Melhoria na tomada de decisões no nível de ALCO, apoiada em insights práticos e direcionados à gestão, em vez de métricas puramente regulatórias.
Responsabilização e análise de custo-benefício dos riscos residuais mantidos em cada unidade de negócio.
Em última análise, o Modelo de Transmissão de IRRBB permite que os bancos passem de uma abordagem reativa e focada em conformidade para o risco de taxa de juros para uma estrutura estratégica, integrada e orientada para os negócios, alinhando a mensuração, a proteção e a tomada de decisões sob um único modelo operacional.




